Como preservar a autonomia de um quadriciclo ligeiro elétrico?
A autonomia de um quadriciclo ligeiro elétrico é um critério importante na escolha deste tipo de veículo, tendo em conta as necessidades associadas ao carregamento, como a disponibilidade de pontos de carregamento e o tempo necessário para carregar a bateria.
O condutor pode também adotar alguns bons hábitos para tirar o máximo partido da autonomia anunciada pelo fabricante e otimizar a utilização do veículo no dia a dia.
As versões 100% elétricas Ligier não estão atualmente disponíveis em Portugal.

Qual é a autonomia de um quadriciclo ligeiro elétrico?
Autonomia anunciada ou autonomia real?
Os fabricantes de quadriciclos ligeiros elétricos anunciam, consoante os modelos, autonomias entre cerca de 50 e 170 km. No entanto, estes valores podem variar em função da utilização do veículo.
Os fabricantes baseiam-se geralmente em ensaios normalizados, nomeadamente no ciclo WMTC, que reproduzem determinadas condições de circulação. Fatores como o relevo, a temperatura exterior, as condições meteorológicas ou o estilo de condução podem influenciar o consumo de energia e, consequentemente, a autonomia real.
Uma autonomia que varia consoante a capacidade da bateria
Tal como acontece com a bateria de um smartphone, a bateria de um veículo elétrico é geralmente baseada em tecnologia de iões de lítio. Graças à sua elevada densidade energética e capacidade de carregamento, esta tecnologia oferece um desempenho superior ao das baterias de chumbo e permite percorrer distâncias maiores.
Assim, a capacidade da bateria, expressa em quilowatt-hora (kWh), é um dos fatores determinantes para a autonomia de um quadriciclo ligeiro elétrico.
Dependendo das condições de utilização, uma bateria de 4 kWh pode permitir percorrer até cerca de 60 km, uma bateria de 6 kWh até aproximadamente 80 km, uma bateria de 8 kWh até cerca de 120 km e valores superiores com baterias de elevada capacidade entre 9 e 11 kWh.
É o caso, por exemplo, dos modelos Ligier Myli e JS50, que podem atingir até 164 km de autonomia com a bateria B11 de 11,04 kWh, segundo valores teóricos do ciclo WMTC.
Que fatores influenciam a autonomia de um quadriciclo ligeiro elétrico?
O desgaste da bateria
A autonomia de um quadriciclo ligeiro elétrico pode diminuir ao longo do tempo devido a vários fatores, nomeadamente ao envelhecimento natural da bateria, ao número de ciclos de carregamento e às condições de utilização.
Tal como acontece com qualquer bateria de iões de lítio, a sua capacidade útil pode reduzir-se progressivamente com o passar dos anos. O SoH (State of Health ou estado de saúde) permite avaliar a capacidade restante da bateria em relação à sua capacidade inicial. Uma utilização adequada e bons hábitos de carregamento contribuem para preservar o seu desempenho durante mais tempo.
As condições da estrada e meteorológicas
O relevo da estrada influencia diretamente o consumo de energia. A bateria de um quadriciclo ligeiro elétrico descarrega-se mais rapidamente nas subidas e, nos veículos equipados com esta tecnologia, pode recuperar parte da energia nas descidas através da travagem regenerativa.
O vento também pode ter influência: um vento frontal aumenta a resistência ao avanço e, consequentemente, o consumo de energia. As temperaturas baixas podem igualmente reduzir temporariamente a autonomia, uma vez que a bateria e o sistema de aquecimento necessitam de mais energia, sobretudo nos primeiros quilómetros.
A utilização do veículo
Acelerações frequentes e intensas aumentam o consumo de energia e podem reduzir a autonomia. A utilização de equipamentos como o aquecimento ou o ar condicionado também influencia o consumo da bateria.
A carga transportada tem igualmente impacto: a presença de um passageiro, bagagens ou outros objetos aumenta o peso do veículo e pode levar a um maior consumo de energia.
Os nossos conselhos para preservar a autonomia de um quadriciclo ligeiro elétrico
Carregar a bateria de forma adequada
Um dos principais objetivos é preservar o estado de saúde da bateria do seu quadriciclo ligeiro elétrico. Sempre que possível, recomenda-se manter o nível de carga entre 20% e 80%, evitando tanto descargas completas como manter sistematicamente a bateria nos 100%.
É preferível efetuar carregamentos regulares e, quando adequado, privilegiar carregamentos mais lentos, que ajudam a limitar o aquecimento dos componentes. Após uma utilização intensa, pode também ser útil aguardar alguns momentos antes de iniciar o carregamento, permitindo que a bateria estabilize a sua temperatura. Estes cuidados contribuem para preservar o seu SoH (State of Health) e prolongar a vida útil da bateria.
Adotar uma condução suave
Uma condução mais dinâmica exige mais energia do motor elétrico e pode reduzir a autonomia. Por isso, é preferível manter uma velocidade regular e evitar acelerações e travagens bruscas.
Uma condução suave e fluida, antecipando as situações de trânsito, ajuda a reduzir o consumo de energia e a otimizar a autonomia do quadriciclo ligeiro elétrico.
Utilizar o veículo nas melhores condições
Sempre que possível, é aconselhável estacionar o quadriciclo ligeiro elétrico num local protegido, como uma garagem, para limitar a exposição a grandes variações de temperatura.
Desta forma, a bateria fica mais protegida do calor intenso no verão e das temperaturas mais baixas no inverno. Se o veículo permanecer imobilizado durante longos períodos, é igualmente importante acompanhar regularmente o nível de carga da bateria.
Equipamentos que ajudam a otimizar a autonomia
O ar condicionado e o aquecimento podem influenciar o consumo de energia e, consequentemente, a autonomia.
Quando disponíveis, equipamentos como o banco aquecido e o para-brisas aquecido podem ajudar a melhorar o conforto térmico sem recorrer exclusivamente ao aquecimento geral do habitáculo.